Expedição Vale do Côa 2016

Expedição Vale do Côa 2016

Numa região tão rica em património, cultura e belezas paisagísticas como é o caso da zona raiana, e com o muito que ficou por ver na primeira Expedição ao Vale do Côa realizada no ano passado, era impossível não regressarmos às terras de riba-côa para percorrer novos trilhos e descobrir alguns dos seus segredos mais bem guardados, sempre com o Rio Côa por perto…

Com a chuva incessante das semanas anteriores a dar uma trégua aos cerca de sessenta aventureiros que rumaram até ao Sabugal para a “Expedição Vale do Côa 2016”, e já depois da recepção e do jantar de boas-vindas no moderno e acolhedor Hotel das Termas do Cró, foi tempo da caravana rumar até à bela aldeia histórica de Sortelha. Além duma visita guiada pelos recantos deste lugar mágico realizada à luz da lua, os participantes foram ainda presenteados com uma animada encenação por um grupo de teatro de jovens actores que iam dos 7 aos 77…

No primeiro dia, ainda a manhã mal se tinha levantado, já a caravana de participantes saía do complexo termal do Cró para a primeira etapa desta aventura ao encontro do rio Côa, que haveria de se tornar no nosso referencial comum ao longo de dois dias de viagem por terras beirãs. E não demorou muito até encontrarmos o rio ainda antes de chegarmos ao Sabugal, num troço de rara beleza natural aproveitado por alguns pescadores locais para apanharem algumas das afamadas trutas do Côa.

Feita a passagem pelo centro histórico do Sabugal, imponentemente marcado pela torre do castelo de desenho pentagonal, chegava-se ao cenário magnífico da barragem do Sabugal, que graças às chuvas dos dias anteriores, dava a possibilidade aos mais afoitos de a atravessaram ao longo de uma das suas margens, proporcionando-lhes um momento de adrenalina e diversão, já para não falar de alguns belos instantâneos para os “fotógrafos” de serviço.

Se por um lado o terreno não representava dificuldades de maior para os veículos e condutores, já o lado paisagístico do trajecto merecia a aprovação unânime dos participantes, tal era a beleza das paisagens e a diversidade de cores primaveris oferecida.
Repostas as forças na aprazível praia fluvial de Vale das Éguas, havia de chegar o maior desafio do dia com o cruzamento do rio Côa junto a Porto de Ovelha, cuja corrente e caudal de água impunham especiais cuidados na abordagem a este obstáculo natural e testavam as capacidades dos Land Rovers em meio aquático.

Após longas horas de condução em todo-o-terreno que incluíam a passagem pelas aldeias de Freineda, local onde esteve baseado o Duque de Wellington durante as invasões francesas, e de Castelo Bom, cujo miradouro nos oferecia uma vista magnífica sobre todo o vale do Côa até onde a vista podia alcançar, era chegada a hora do merecido repouso no Hotel Fortaleza de Almeida, situado bem no interior das muralhas da vila de Almeida, e onde em tempos idos existiu uma prisão.
Antes porém, havia uma segunda surpresa guardada para os participantes com a visita ao Picadeiro D’el Rey para apreciarem a coleção de carroças, charretes e automóveis antigos ali existente, e onde alguns tiveram mesmo a oportunidade de se estrearem nas artes equestres.

Após um primeiro dia repleto de bons momentos, o melhor estava mesmo guardado para o fim da Expedição, primeiro com a subida dos Land Rovers ao topo da Serra da Marofa pela famosa “via sacra”, que lá do alto sob os braços da estátua de Cristo Redentor, parecia tratar-se de uma longa procissão.
Percorrida a cumeada da serra de onde se podia usufruir um panorama fantástico que ia desde o planalto Duriense a norte até à Serra da Estrela a sul, tivemos a oportunidade (quase) única de usufruir de uma visita guiada à aldeia de Cidadelhe, que nos recebeu magnificamente decorada.

Este lugar, hoje com pouco mais de 40 habitantes, possui além de importantes vestígios de arte rupestre, um rico legado histórico de vários séculos cujo expoente máximo é um magnífico pálio datado do início do século XVIII. Além da sua raridade, esta peça tem ainda uma história fascinante relacionada com a sua proteção contra os “amigos do alheio”, já que oficialmente não se sabe onde é guardada, rodando regularmente de casa em casa.

Já reconfortados com um delicioso aperitivo de produtos locais servidos pelo Hostel Cidadelhe Rupestre, e abortada a última passagem a vau do rio Massueime, foi hora de rumar ao cenário idílico da emblemática Quinta da Ervamoira, para fechar com “chave de ouro” esta grande expedição.

Lá diz o ditado que “não há duas sem três”, por isso haverá que estar atento ao calendário de eventos do Clube no ano que vem…

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