Linhas de Torres 2015

Linhas de Torres 2015

As linhas de Torres foram no seu tempo, um dos segredos militares mais bem guardados da História Militar do nosso país.
Na verdade, as fortificações foram erguidas à vista de todos mas não por uma força de trabalho única, daí que ninguém soubesse a sua verdadeira dimensão.

O segredo das Linhas de Torres perdura ainda hoje e foi assim que num dia de Outubro de 2015 perto de meia centena de Land Rovers se lançaram à descoberta de um dos segredos paisagísticos mais bem guardados dos arredores da capital.

O passeio começou cedo, em Loures, onde os elementos da força expedicionária anglo-lusa (os veículos eram ingleses e os condutores portugueses), rapidamente se lançaram à conquista do Vale de Loures para, por entre caminhos agora alcatroados chegarem ao Cabeço de Montachique.

O Cabeço, que hoje deita para a A8 é o verdadeiro começo da 2ª linha de Torres que ia desde Alverca até Mafra, e constituía de facto o último bastião de defesa da capital contra as forças de Bonaparte. Se os franceses ultrapassassem esta linha restava apenas aos exércitos inglês, português e espanhol (sim, havia espanhóis a lutarem por nós), fugir pelo forte de São Julião da Barra, à data fortemente fortificado.
O nosso passeio levou-nos então pelas linhas do exército luso-inglês para nascente ao longo dos cumes a norte de Lisboa deitando olhos para Bucelas mas tendo presente que o progresso se faz com calma por entre montes e vales em direcção a Alverca.

É com os olhos postos no Tejo, onde em tempos a esquadra de Wellington esteve atracada, que os intrépidos landrovistas se dedicam a um lauto piquenique.
A este segue-se uma das principais dificuldades do dia: a descida até ao rio, a qual, como em qualquer campanha causou baixas, embora sem gravidade assinalável dado que as barras de direcção por vezes se torcem quando em confronto directo com os combros e taludes.

Nada que pudesse desanimar as hostes, as quais seguiram depois para norte em direcção a terras de Arruda dos Vinhos por entre campos e vinhedos para depois subir já na primeira Linha de Torres em direcção ao Forte da Carvalha, verdadeiro local de embate entre os exércitos na Guerra Peninsular e onde durante mais de 18 meses os franceses tentaram, em vão, entrar em terras de Lisboa.

Do Forte da Carvalha ao Alqueidão, os nossos participantes experimentaram as agruras dos Franceses passando por trilhos estreitos e pedregosos, ladeados de muros de pedra e carecendo de atenção nas manobras.
Chegados ao Alqueidão foi tempo do repasto da tarde naquele que é o principal forte da 1ª linha de Torres, que no seu tempo tinha mais de 15.000 soldados ali estacionados e que hoje foi recuperado para que o visitante possa experimentar a dimensão da História que ali se viveu.

Passando por fortes mais pequenos que davam apoio ao de Alqueidão, os participantes seguiram desta feita para Oeste para circundar a Serra do Socorro, central semafórica das Linhas de Torres, e seguir por estrada romana até ao Forte da Prata e, no final da tarde, para o tão aguardado descanso do corpo e do estômago.
Um excelente Sábado cheio de história e aventuras, verdadeiramente digno deste início de Outono.

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