S.Martinho 2016

S.Martinho 2016

Ao longo dos vinte e cinco anos de história que o Clube Land Rover de Portugal tem tido como um dos seus principais objectivos a descoberta do território e a promoção do rico património local junto dos seus associados e amigos.

O passeio de São Martinho é um dos eventos residentes do calendário anual do Clube há já vários anos, e desta vez foram mais de cem os participantes que responderam ao desafio de descobrir o concelho do Montijo, bem às portas de Lisboa mas ainda com muito por explorar.

Cruzada a longa ponte Vasco da Gama, entramos numa realidade diametralmente oposta, onde a grande urbe dá lugar a extensas áreas agrícolas e de montado de sobreiro que permitem um contacto próximo com a natureza, circulando por estradões que convidam a explorar as aptidões estradistas dos Land Rovers.

Da partida junto ao Santuário de Nossa Senhora da Atalaia, referência incontornável do património cultural e religioso do concelho, a longa caravana rumou em direção a Canha, uma povoação quase tão antiga quanto a nacionalidade, mas ainda desconhecida para muitos, por estradões que ladeiam explorações agrícolas em plena laboração nesta altura do ano.

Em Canha, pausa matinal para a visita ao Museu Etnográfico local instalado na antiga casa de um famoso médico da terra. A visita, superiormente guiada por Vasco Maia, Secretário da Junta de Freguesia, surpreendeu pelo interessante espólio de ferramentas agrícolas usadas ao longo de séculos, e uma exposição itinerante da Santa Casa da Misericórdia de Canha, que está a comemorar os quatrocentos anos da sua fundação. Em ano de aniversários, o presidente do Clube Land Rover de Portugal, Frederico Gomes, retribuiu o gesto fazendo oferta de uma medalha dos 25 anos do clube. A visita, porém, não ficaria completa sem o obrigatório lanche acompanhado de um saboroso Moscatel da região.

Postos os motores novamente a funcionar, foi tempo de partir ao encontro da natureza e admirar um magnífico sobreiro que necessita de várias pessoas para se abraçar de tão grande que é.

Quando meia Europa já treme de frio, por cá o famoso e cálido verão de São Martinho permite-nos parar no meio de um pinhal e saciar os famintos com um farto piquenique partilhado, que já se vai tornando tradicional nos eventos organizados pelo Clube.

Afortunadamente, o percurso da tarde com cerca de 30 km de extensão, desenrola-se sempre a bom ritmo por troços rápidos de terra e apenas alguns obstáculos que todos os Land Rover superaram sem dificuldade.

Apesar de termos noção que circulamos perto de grandes centros urbanos, somos confrontados com um ponto de paragem no percurso que tem tanto de icónico como de revelador das dificuldades sentidas para estabelecer as populações nas áreas agrícolas do nosso país. O conjunto formado pelo Colonato de Pegões e a Igreja de Santo Isidro, foi uma tentativa levada a cabo pelo Estado Novo e o industrial Rovisco Pais no sentido de fixar a mão-de-obra agrícola necessária às grandes explorações da zona. Este vasto conjunto, obra do arquiteto Eugénio Correia (1897-1985), é formado por escolas, centros de convívio e sociais, posto médico e igreja, e constitui um património arquitetónico singular no nosso país, com lugar cativo em diversos manuais de arquitetura. “Nunca imaginei vir encontrar edifícios tão belos num local como este” dizia uma participante. Nem nós.

A tarde já vai a meio quando partimos para o último troço do percurso à descoberta (e prova) de outra das referências que tanta fama têm trazido à região. A paisagem muda repentinamente de côr e de textura e passamos a circular entre vinhas, com uma alternativa um pouco mais desafiante pelo meio e um túnel onde cabemos “à justa” antes de chegarmos ao local mais desejado do dia, pelo menos para muitos dos participantes.

Após quase cem quilómetros de condução, o cansaço já aperta quando avistamos a Adega Ermelinda Freitas, onde nos espera uma visita guiada à adega e uma prova de vinhos, que ao fim e ao cabo é tempo de São Martinho. Negócio familiar de quatro gerações, a empresa liderada actualmente por Leonor Freitas, experimentou nos últimos quinze anos um desenvolvimento assinalável recompensado com inúmeros prémios nacionais e internacionais. Quem não se lembra do prémio para o melhor vinho Sirah, obtido num concurso de “prova cega” perante alguns dos maiores produtores franceses, em sua própria casa…

Visitada a vinha e a adega, mas sobretudo apreciados os cinco vinhos postos à prova, havia que aproveitar a oportunidade para encher as bagageiras e abastecer as garrafeiras caseiras.

E para terminar em beleza um evento de São Martinho que tal a declamação de umas quadras alusivas à época, fruto da criatividade dos participantes do passeio, quem sabe com o Sirah da D. Ermelinda já a fazer o seu efeito depois de jantar…

LandRoverilla onnistru,
Jos ecssa ci oo omppupuu
Land Roverissa joka pomppu
On madoisa kuin omppu

A ponte é mesmo uma passagem para uma região tão próxima mas que ainda tem tanto para explorar… Para o ano há mais São Martinho, e por isso quem sabe que nova região do nosso país iremos descobrir…

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